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Com lockdown e lentidão na vacinação, governo admite PIB menor em 2021 – 03/03/2021

A recuperação da economia brasileira, alardeada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, uma vez que “em V,” ou seja, que depois uma queda brusca também reagiria crescendo rapidamente, já faz segmento de uma expectativa do pretérito.

Dentro do Ministério da Economia já há visível consenso de que a recuperação que poderia ocorrer nesse início de ano já está comprometida com a pandemia do coronavírus em subida. Agora, essa retomada pode, no sumo, se tornar um “W”, com novas quedas e retomadas em velocidade, mas não necessariamente com sustentação, na avaliação de fontes da equipe econômica ouvidas pelo UOL.

Ontem, 2, Guedes afirmou que acreditava que a queda do PIB deveria ser aquém de 4% em 2020. Já hoje, o resultado divulgado pelo IBGE foi de uma queda de 4,1% no PIB, maior queda desde 1996.

Segundo técnicos da pasta, a decisão de diversos estados em restringir as atividades (o chamado lockdown) certamente reduzirá o nível de atividade econômica. O tempo de duração das medidas restritivas é que definirá o tamanho da queda do PIB (Resultado Interno Bruto) no primeiro semestre, argumentam.

“A recuperação em V pode se tornar uma recuperação em W. Tudo vai depender do tempo de fechamento das cidades. A recuperação da economia brasileira depende do nível de vacinação. Quanto mais rápido vacinarmos a população, mais rápido será a recuperação. E simples, precisamos de reformas”, disso um técnico na pasta.

Guedes também tem vencido na tecla de que o ritmo da vacinação será crucial para que a economia possa voltar a crescer. Em reunião no último domingo, no Palácio da Alvorada, com o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros, Guedes ouviu promessas do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que entre março e maio o país pode dar um salto na vacinação.

Termo do silêncio

Depois de optar pelo silêncio durante toda a crise que envolveu a troca de comando na Petrobras, Guedes gravou uma entrevista com o podcast Primocast, que foi ao ar ontem (2), e admitiu que nos próximos seis meses a prioridade do governo deve ser a vacinação em volume.

” No limitado prazo, de hoje para daqui a 6 meses, vacina, vacina e vacina. Vacinação em volume”, disse. “Para a recuperação ser sustentável, vamos dar um pouco de auxílio emergencial para quem não se reequilibrou. E, por outro lado, vamos apressar e aprofundar as reformas – se não, a economia capota”, afirmou o ministro.

Batalhas no Congresso

Guedes ainda luta para legalizar a PEC Emergencial, que permitirá a licença do auxílio emergencial, com medidas de contrapartida para não ampliar ainda mais o rombo fiscal. Apesar disso, a pronunciação do governo já admite que o mais importante é conseguir legalizar a PEC o quanto antes nas duas Casas Legislativas para prometer o pagamento das parcelas no novo auxílio comecem ainda no mês de março.

A votação no Senado está marcada para estrear nesta quarta-feira (3). Segundo fontes do governo, a promessa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é legalizar a medida em dois turnos ainda nesta semana. Depois disso, o Palácio do Planalto quer apressar a votação da Câmara e a edição as medidas jurídicas que permitirão o pagamento do favor.

Cardápio de medidas

Os técnicos do governo ainda aguardam a divulgação dos dados do transacção, da indústria e do setor de serviços para dimensionar o impacto da pandemia, mas admitem reservadamente que devem reduzir as expectativas de incremento para a economia em 2021.

Internamente, o governo não descarta ressuscitar o Favor Emergencial de Manutenção do Trabalho e da Renda (BEm) para reduzir o salário e a jornada dos trabalhadores, com uma ressarcimento financeira.

Ou por outra, está em estudo prorrogar o pagamento de contribuições, uma vez que a feita ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

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