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Com R$ 250 de auxílio, governo não vai matar miséria, nem convencer sufragista – 14/02/2021

O retorno do auxílio emergencial deixou de ser visto uma vez que coisa de “comunista irresponsável” – sim, muitos tripudiaram quando foi oferecido o alerta de que a segunda vaga de mortes de covid também traria miséria se o favor não fosse estendido – e se tornou questão humanitária urgente.

Mas o governo federalista continua regateando o valor e prazo no momento em que chegamos a quase 1500 mortes registradas em um único dia. Se o favor já estivesse entrando nas contas de desempregados, a pressão para irem à rua buscar sustento seria menor. E a mortalidade deles também.

Se o valor for muito menor do que o anteriormente pago, não vai resolver a vida de milhões de trabalhadores informais. Pois a lógica do auxílio emergencial é dissemelhante daquela do Bolsa Família – que transfere, em média, R$ 190 por mês. Trata-se, de outro grupo social, com outras demandas, que vai continuar procurando complemento de renda se o valor fosse esse.

Inicialmente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, colocou R$ 200 uma vez que o limite, mas já está falando em R$ 250 em seguida os presidentes da Câmara e do Senado relatarem a ele as pressões de parlamentares. 

De tratado com levantamento mensal do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os 250 mangos representariam 39,6% da cesta básica em São Paulo. Cesta de verdade, com mesocarpo e vitualhas frescos, não aquelas caixas vendidas pela internet que não garantem uma dieta suficiente e balanceada. 

O Congresso, por isso, deve aumentar o valor, repetindo o que fez no início da pandemia, quando o governo sugeriu R$ 200 de auxílio. E, novamente, o efeito paralelo será propício por Bolsonaro. Pois R$ 250 também não resolvem a vida do presidente.

A sua popularidade sangrou quando o auxílio caiu de R$ 600 para R$ 300 e, depois, entrou em convulsão com o término das parcelas, em dezembro pretérito. O oração de responsabilidade fiscal que está proferindo serve unicamente para enganar a fileira do mercado financeiro que curte um auto-engano.

Jair torce para que deputados e senadores passem por cima de Guedes e entreguem um favor mais parrudo a término de continuar pavimentando sua estrada para outubro do ano que vem. O (ex-)Posto Ipiranga sabe disso e cumpre seu papel nesse teatro, tentando resistir para pregar a tal responsabilidade irresponsável.

É debate manante na oposição ao governo no Congresso que quanto maior o auxílio, mais Bolsonaro se cacifará entre brasileiros que ganham até três salários mínimos – grupo que segurou sua aprovação quando secção da escol e da classe média o abandonou diante do negacionismo e da necropolítica durante a pandemia.

Mesmo assim, a oposição segue tentando concordar o retorno do auxílio com valores entres R$ 500 e R$ 600 mensais. Um senador e um deputado federalista trouxeram à pilar praticamente a mesma justificativa: a esquerda no parlamento não vai rifar a população pobre em nome de uma estratégia eleitoral.

Até porque se ela não fizer isso, será duramente criticada por suas bases e pela própria sociedade social por desabitar sua taxa histórica de distribuição de renda, o que também traria danos eleitorais. Dessa forma, assume-se que o “dano paralelo” de que a garantia de um mínimo de pundonor aos trabalhadores informais será dar a Bolsonaro um caminho mais suave em direção a 2022.

Para alguns, isso é uma escolha difícil, pois defendem a lógica de “sacrificar peões” para lucrar o jogo de xadrez e tirar o “mal maior”. Não são muito diferentes de quem, do outro lado, não consegue ver biografias, mas células com números, em uma gigantesca planilha de Excel.

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