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Destruir a sanidade dos jovens é hoje em dia um mercado lucrativo – 26/09/2021 – Luiz Felipe Pondé

Imagine uma propaganda em que aparece uma mulher pejada abraçando sua bojo diante de uma floresta e uma frase embaixo, uma vez que se fosse ela dizendo mais ou menos o seguinte para seu bebê ainda no útero: “salvar nosso planeta será a missão”. Inferior, está escrito “generation one”.

Não importa de quem é a propaganda, mas ela aparece em uma das revistas internacionais de maior reconhecimento. O que quer expressar um mercantil uma vez que esse? Antes de tudo, ele quer expressar que estamos ferrados —para não usar nenhum termo que ofenda a sensibilidade dos falsos revolucionários de plantão.

A rigor, não há zero de novo na teoria, somente uma radicalização —há anos estamos num projeto de ruína da saúde mental dos mais jovens dizendo justamente o contrário, que eles são lindos e mais evoluídos. Às vezes, ouço por aí frases desse tipo, ditas por pessoas que se acham a prova pura de que a humanidade evolui na mesma medida em que ela lê alguma coisa de idiota na sua bolha das redes sociais.

Na prática, desde os tais millennials, esses coitados que começam a combinar para o prejuízo da fé em si mesmos, os pais, as escolas, as universidades, o marketing, a espiritualidade, todos, em uníssono, trabalham para destruir a saúde mental dos mais jovens.

E zero vai mudar, porque essa ruína é um mercado bastante lucrativo e em incremento. Mas, quando isso acontece em mansão, aí começam a chorar as pitangas e se voltam para o próprio mercado da contenção de danos —e não tem muito o que fazer mesmo.

Mas, voltemos por um minuto aos millennials. Muitos deles começam a culpar a falta de esperança que os contamina agora —uma vez que se, para ser adulto, alguém devesse necessariamente ter esperança no mundo. A vida nunca foi “fun”. Essa teoria absurda é fruto do mesmo capitalismo que essa geração agora voto odiar.

Verdade que o tal capitalismo está mais violento do que nunca, mas são os próprios jovens e seus algozes queridos que emplacam ideias uma vez que capitalismo consciente, empresas inclusivas, marketing de justificação e outros fetiches que a esquerda de butique adora pôr no seu portfólio.

Voltando à nossa propaganda disruptiva, ela radicaliza um processo que lhe é anterior, porque a personagem pejada já entrega uma tarefa a alguém que não nasceu. A coitada da Greta já é uma velha se comparada à missão do embrião da publicidade.

Os jovens obrigatoriamente devem ser corretos em tudo, eficazes em tudo, equilibrados em tudo, informados em tudo, atentos a tudo, saudáveis em tudo, produtivos em tudo, felizes sempre. O resultado disso é a doença mental, que recebe apelidos fofos e técnicos para não magoar a sensibilidade do marketing de nicho.

Nem os embriões estão a salvo. Todo mundo sabe disso, mas vamos continuar mentindo, pois mentir agrega valor —e o resto que se dane.

Mas, ampliemos o argumento para, talvez, aprofundar a percepção do sintoma. O paradigma do empreendedorismo uma vez que preocupação justifica tudo. Sim, até os bebês devem ser empreendedores de si mesmos e ligados a causas. Quando atribuímos missões para os mais jovens estamos condenando essas pessoas a perseguir o sucesso desde sempre.

O empreendedor uma vez que protótipo de vida é, na maioria das vezes, um coitado. É cá que chegamos ao empreendedorismo uma vez que patologia.

Tudo muito você gostar de empreender nos negócios. Ainda muito que tem gente que curte isso, tem grana e disposição. É verdade que muita gente depois dos 45 anos é obrigada a virar empreendedor de geleia proveniente ou comida vegana porque foi cuspida da mesma empresa que posa de inclusiva, mas só tem funcionários de 30 anos.

É verdade também que hoje, com o capitalismo de plataforma, todo mundo que está com dois anos de idade terá que virar qualquer tipo de influencer de bobagens em qualquer momento.

Mas quem disse que, se alguma coisa é verdade, ele também é bonito em sua totalidade? Cá entra em cena a patranha do marketing uma vez que imperativo formal —você será empreendedor uma vez que estilo de vida. Adorará nunca repousar, pois isso é para os fracos. E, quando tiver incerteza, é só encolher um aplicativo de ensino financeira.


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