sábado, novembro 27, 2021
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EPE propõe debater compra de caminhão velho pelo governo para reduzir oferta

Em meio a discussões no governo sobre alternativas para tentar atender as reivindicações dos caminhoneiros, em privativo os autônomos, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), autonomia ligada ao Ministério de Minas e Vontade, propõe uma discussão para reequilibrar o setor de forma estrutural e permanente, sugerindo uma política pública de renovação da frota, com sucateamento rápido de caminhões antigos, uma teoria também defendida por outros especialistas.

“Essa lance difícil, que vem causando dificuldades há diversos anos, levou às paralisações em estradas brasileiras em 2015 e 2018. Ameaças de novas paralisações seguem no primícias de 2021”, explica a Nota para Discussão: Transporte Rodoviário de Cargas – Proposta para o Reequilíbrio.

A autonomia ressalta que a proposta não é um entendimento final sobre o tema, mas procura levantar pontos para uma reflexão mais ampla.

A sucessiva subida do diesel, que desde 2016 passou a seguir o preço do mercado internacional, tem sido uma preocupação jacente do governo e ganhou força nas últimas semanas, quando o petróleo entrou em trajetória de subida com a perspectiva mais otimista com a vacinação no mundo e o golpe de produção da commodity por alguns países. Depois de ter chegado a ser cotado a US$ 20 o barril no auge da primeira vaga da pandemia, entre abril e maio de 2020, o petróleo ultrapassou os US$ 60 na semana passada.

Desde o início do ano até o último dia 12, o diesel subiu 4,8% segundo a Escritório Pátrio do Petróleo, Gás Oriundo e Biocombustíveis (ANP), e mesmo assim ainda apresenta defasagem em relação à paridade internacional, segundo analistas, o que deve ser revisto gradativamente pela Petrobras nas próximas semanas.

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido a mudança nos impostos para reduzir o preço do diesel, mas analistas afirmam que a medida, além de levar tempo, não teria impacto no preço. A teoria é reforçada pelo estudo da EPE, que mostra as distorções que qualquer subvenção culpa na economia. Outra política equivocada, segundo a EPE, foi o tabelamento do frete em 2019, ainda vigente, que ajudou a aumentar a frota de caminhões.

“Uma consequência do aumento dos fretes foi a obtenção de frota própria de caminhões por alguns grupos econômicos. Tal ação teve reflexos na retomada das vendas de caminhões no País, mas acabou aprofundando ainda mais a quesito de sobreoferta de fretes”, explicou.

Em recente item, os consultores Adriano Pires e Pedro Rodrigues, sócios do Núcleo Brasílico de Infraestrutura (Cbie), também identificaram a oferta excessiva porquê culpa da queda de renda do caminhoneiro, e propõem a mesma receita de redução e modernização da frota. Eles porém adicionam ingredientes porquê a requalificação dos caminhoneiros, a geração de um fundo de estabilização para o preço do diesel, e a melhoria das estradas.

A proposta da EPE se concentra na obtenção de caminhões antigos pelo governo, reduzindo a oferta, ao mesmo tempo em que injeta recursos na economia com o programa, o que teria potencial de estimular a demanda, e com isso reequilibrar o mercado de frete, avalia a EPE.

“Além de minimizar o risco de novas paralisações, essa política também promove outros benefícios, porquê a subtracção de emissões e de acidentes rodoviários, com menores perdas materiais e humanas, e redução dos gastos com saúde pública, além de fomentar a eficiência energética”, explica a EPE.

O estudo informa que os caminhões vendidos atualmente emitem 94% a menos de material particulado (MP), 75% a menos de NOx e 63% a menos de monóxido de carbono (CO) que os caminhões comercializados antes de 2000. O Brasil tem tapume de 110 milénio caminhões com mais de 30 anos (6% da frota pátrio).

O documento alertou ainda, que com a ingressão de projetos ferroviários e o incitação do aumento à cabotagem, a demanda por cargas rodoviárias para longas distâncias deve ser reduzida, o que torna mais necessária a discussão do tema para reduzir a oferta.

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