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Finanças na China

postado em 14/02/2021 10:01 / atualizado em 14/02/2021 10:01

(crédito: Gomez)

Depois que se tornou numulário de raiz, a China procura nos Estados Unidos (EUA) os tipos de controle de mercado para evitar monopólios e oligopólios econômicos, com sucesso. Sun Yu, do Financial Times de Pequim, nos atualiza: o banco medial da China acusou o Ant Group, a grande “fintech” chinesa, de “fazer vista grossa” a questões regulatórias de conformidade e ordenou a companhia a “emendar” suas operações, no mais recente ataque direto do governo contra o poderio on-line de Jack Ma.

A Ant respondeu à repreensão com um expedido em que afirma que iniciou, “imediatamente”, a elaboração de planos e uma agenda para atender as demandas apresentadas pelo Banco do Povo da China (PBoc, na {sigla} em inglês). O grupo acrescentou que vai melhorar “significativamente” a conformidade, promovendo uma reorganização de seus negócios.

Na quinta, a Governo Estatal de Regulamentação do mercado anunciou o lançamento de uma investigação antitruste sobre a plataforma de negócio eletrônico Alibaba, de Jack Ma, proprietário da maior companhia de tecnologia da China, por possíveis práticas monopolistas. No mesmo dia, autoridades reguladoras financeiras lideradas pelo banco medial chinês disseram, num breve expedido, que iriam “supervisionar e orientar” a Ant em questões relacionadas à competição justa e à proteção ao consumidor.

O PBoc e representantes da Ant reuniram-se, no sábado e no domingo, e o Banco Meão emitiu uma rara repreensão pública em seu site na internet. Ele postou a transcrição de uma entrevista com Pan Gongzheng, vice-presidente da instituição, que acusou a Ant de “ter pouco conhecimento jurídico e fazer vista grossa para exigências de conformidade”.

Pan exigiu que a Ant tome uma série de medidas que incluem uma reorganização de seus negócios altamente lucrativos de empréstimos ao consumidor e securitização de ativos, que vêm despertando preocupações com risco de crédito.

O incidente é a mais recente iniciativa do governo chinês para vergar a outrora poderosa líder do setor. No mês pretérito, autoridades reguladoras frustraram a planejada oferta pública inicial de ações (IPO) da Ant, avaliada em US$ 37 bilhões, que teria sido a maior já registrada no mundo.

A dramática mediação para suspender a IPO da Ant aconteceu dias depois que Ma, o varão mais rico da China, manifestar, durante um pronunciamento em Xangai, que os bancos do país têm uma mentalidade conservadora de “moradia de penhores”, que impede o crédito de fluir para empresas menores e indivíduos.

IPO é preciso esclarecer, é o lançamento no mercado de ações de uma empresa, que, na ótica do investidor, lhe trará lucros, além da recuperação do capital empatado na operação. Os comentários de Ma foram considerados insolentes, uma vez que ele estava falando num evento no qual também falou o vice-presidente Wang Qishan, que enfatizou a urgência de proteção contra riscos financeiros, em obséquio dos investidores.

Na semana passada, o grupo suspendeu seu popular negócio de depósitos on-line que ajudava bancos regionais a obter financiamentos de todas as partes do país — uma provável violação das regras, que proíbem os bancos de operarem além de suas províncias, porquê nos EUA.

Poucos dias depois, o grupo disse que reduziria as cotas de empréstimos para alguns tomadores jovens para que eles possam desenvolver hábitos de consumo “mais racionais”. Jane Zhang, uma assistente de marketing de Xangai, disse que sua prestação de empréstimos caiu 90%, para menos de 2.000 yuans (US$ 306). “Antes, eu podia narrar com o Jiebei para comprar uma bolsa Gucci”, disse Zhang, referindo-se ao aplicativo de empréstimos on-line da Ant. “Agora, mal posso comprar num smartphone barato: isso reflete o superendividamento das pessoas físicas e eventuais penhoras de seus bens. Justo o que a China não quer.

Por isso mesmo, os governos e os bancos centrais não viram na enérgica atuação regulatória da China uma mediação indevida do governo na livre iniciativa das empresas. Todos se lembram da quebra da bolsa americana, em 2020, e da grande recessão que se lhe seguiu, muito porquê da recente crise chamada de “sub-prima”, também nos EUA, por falta de regulação efetiva.

Por essas e outras, acho muito engraçado quando se diz que a China é socialista ou, mais comumente, comunista, onde tudo é do Estado. Em verdade, só persistem dois países comunistas no mundo: Coreia do Setentrião e (já mudando) Cuba. A Venezuela é tão somente uma ditadura sul-americana, que expropriou segmento da riqueza privada em prol do grupo de militares e “patrões capitalistas” que governam o país, exportador líquido de petróleo de subida qualidade, razão de sua sobrevivência. Hoje em dia, é vital notabilizar, sob pena de não compreender o mundo ou falar asneiras, sem conhecimento de culpa. Não devemos ser “burros falantes!”

*Sacha Calmon é jurista

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