Ibovespa aprofunda queda aquém dos 99 mil pontos de olho em Petrobras e China

Em apenas pouco minutos de pregão, o Ibovespa já perdeu cerca de 1.400 pontos, voltando a operar em nível visto pela última vez em 19 de outubro de 2020 (mínima diária a 98.657,65 pontos). “O problema não é a saída do presidente da Petrobras José Mauro Coelho. O mercado está estressado com o governo, com a força que tem atuado contra a estatal. Além disso, a queda do minério de ferro empurra o Ibovespa para o negativo”, avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

“Sabemos que o pedido de abertura de CPI pelo governo e a questão do presidente da Câmara Arhtur Lira em falar em subir imposto, taxação de exportação de petróleo, devem gerar um problema para a estatal, embora saibamos que tudo isso e eventual mudança de estatuto não acontecem da noite para o dia, mas desgasta.”

Para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o pedido de instalação de uma CPI pelo presidente Jair Bolsonaro para averiguar a estatal não deve avançar.

Além disso, a B3 questionou a Petrobras sobre as movimentações atípicas com os papéis da estatal desde o início de junho. A companhia, por sua vez, respondeu não ter conhecimento de qualquer ato ou fato relevante pendente de divulgação que possa justificar as oscilações registradas no preço, na quantidade e no número de negócios envolvendo ações de sua emissão.

Depois de o governo aumentar a pressão, o presidente demissionário da Petrobras, José Mauro Coelho, pediu para deixar o cargo na manhã desta segunda-feira, segundo informação da Petrobras ao mercado e conforme tinha sido antecipado por fontes próximas ao executivo no fim de semana.

Nem mesmo alivia o viés positivo na Europa e dos índices futuros de ações americanos, ainda que o mercado acionário à vista dos EUA não abra hoje por conta de feriado em celebração ao fim da escravidão no país. Com isso, a liquidez na B3 deve ser reduzida.

No exterior, o recrudescimento das preocupações com a possibilidade de recessão americana e sinais de enfraquecimento da China estão no radar. As ações ligadas ao setor metálico têm queda entre 2% e 3% na B3. Vale ON perdia 2,62%, às 10h56. Já os papéis da Petrobras, que ficaram em leilão até por volta de 10h50, cediam 2,31% (PN) e 2,34% (ON).

O minério de ferro desabou quase 11% no mercado futuro em Dalian e fechou com recuo de 8,18% no porto chinês de Qingdao, a US$ 111,69 a tonelada. Trata-se do menor nível de fechamento desde 15 de dezembro de 2021.

Há dúvidas sobre o crescimento econômico da China em meio à política de ‘covid zero’ e ao mesmo tempo algumas siderúrgicas estão fechadas para reforma, reduzindo a demanda. Ainda assim, o banco central da China manteve as taxas de juros de referência estáveis em sua fixação mensal, mas já há expectativas de que adote medidas para estimular a economia. Já o petróleo tem instabilidade no exterior. E na Europa a inflação segue avançando. O índice de preços ao produtor da Alemanha fechou maio com resultado recorde, ao saltar mais de 33% ante igual mês de 2021.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 2,90%, aos 99.824,94 pontos, enquanto o dólar à vista terminou cotado a R$ 5,1443, em alta de 2,35%, em meio ao mau humor externo e ao noticiário sobre a Petrobras, que reajustou os preços dos combustíveis naquele dia.

“Precisa retomar o nível dos 100 mil pontos e superar a faixa dos 102.500 pontos”, recomenda em nota o economista Álvaro Bandeira e também consultor de Finanças, indicando que com isso evitaria novas perdas. Porém, o quadro é incerto. “Preocupação com recessão e juros em alta. A Petrobras está fortemente pressionada pelo governo e pelo Congresso. Acabou virando a ‘Geni’ da musica de Chico Buarque Geni e o Zepelim”, diz.

“A radicalização governo em relação à Petrobras preocupa aliados e Lira reforça a ofensiva”, acrescenta Bandeira ao referir-se ao presidente O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que disse que reunirá hoje líderes partidários para discutir a política de preços da Petrobras.

Apesar do reajuste promovido pela estatal, as ações fecharam a sexta-feira com quedas entre 7,25% (ON) e 6,09% (PN). Além disso, a companhia perdeu R$ 27 bilhões em valor de mercado, em meio às ofensivas políticas.

Além da piora da percepção de risco fiscal, o movimento também reforça preocupações de ingerência política na Petrobras, avalia em relatório Antônio Sanches, analista de investimentos da Rico.

As ações da Eletrobras também ficam no radar dos investidores, após a renúncia de nove membros de seu conselho de administração, a maior parte representantes do governo. O pedido ocorre após a capitalização da empresa na Bolsa, que movimentou R$ 33,7 bilhões. No horário citado acima, subiam em torno de 1%

Já o Ibovespa cedia 0,99%, aos 98.839,32 pontos, ante mínima diária aos 98.408,88 pontos (-1,42%), e abertura aos 99.824,25 pontos (variação zero).