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quem é o músico que foi sentenciado por afronta e tráfico sexual

O artista americano foi considerado culpado de organizar um esquema que durou décadas e no qual ele se aproveitava de sua notabilidade para atrair suas vítimas.

John Legend o descreveu porquê um abusador “em série”, Lady Gaga se desculpou por ter trabalhado com ele e o cantor Neyo diz que não há “desculpa” para não boicotá-lo.

Há 20 anos, o músico americano R. Kelly enfrenta diversas acusações de assédio e afronta sexual — sendo muitas denúncias envolvendo adolescentes.

Agora, o cantor de 52 anos foi sentenciado pela Justiça americana, embora negue ter cometido qualquer violação.

Kelly foi considerado culpado de organizar um esquema para se aproveitar de sua notabilidade para desmandar sexualmente de mulheres e menores de idade ao longo de duas décadas. Onze vítimas, nove mulheres e dois homens, depuseram durante o julgamento de seis semanas e descreveram a humilhação e a violência que sofreram em suas mãos. Em seguida dois dias de deliberação, o júri considerou Kelly culpado de todas as acusações que enfrentava. Ele deve receber sua sentença em 4 de maio e pode passar décadas detrás das grades.

Os promotores acusaram Kelly, tal qual nome completo é Robert Sylvester Kelly, de usar sua notabilidade e riqueza para atrair vítimas com promessas de ajudar em suas carreiras musicais.

Várias de suas vítimas testemunharam que eram menores de idade quando ele as abusou sexualmente.

O veredicto veio 13 anos depois de Kelly ser absolvido das acusações de pornografia infantil, em seguida um julgamento no Estado de Illinois.Ao contrário das condenações de outras celebridades porquê o comediante Bill Cosby e o produtor de cinema Harvey Weinstein, a maioria das vítimas que ajudaram a sentenciar Kelly eram negras.Ele também foi considerado culpado de tráfico sexual interestadual e roubo, uma denunciação normalmente usada contra organizações criminosas.

Kelly está sendo julgado separadamente em Chicago por pornografia infantil e acusações de obstrução da Justiça. Ele também deve enfrentar acusações de afronta sexual em Illinois e Minnesota.

‘Sobrevivendo a R. Kelly’

Apesar de tudo isso, os grandes sucessos de Kelly ainda são tocados por DJs de todo o mundo, ele tem um enorme fã clube e é considerado uma das maiores estrelas do gênero R&B (de rhythm & blues, a manante mais mercantil da música negra com influências de soul, funk e jazz).

No entanto, várias celebridades se posicionaram agora contra ele em seguida o lançamento na série documental “Sobrevivendo a R. Kelly”, de 2019, sobre os crimes cometidos por ele.

Muitas das acusações pelas quais ele foi sentenciado agora foram apresentadas pela primeira vez no programa de TV.

Dividida em seis episódios, a série expõe detalhes de denúncias de afronta físico e emocional de mulheres, inclusive menores de idade, durante várias décadas.

Alega ainda que o cantor de R&B conduzia uma espécie de “ilustrado” em que mantinha mulheres sob seu domínio, contra a vontade delas.

Assim porquê Lady Gaga, outros artistas porquê Chance the Rapper e a filarmónica francesa Phoenix também pediram desculpas por terem trabalhado com ele.

Já Omarion, vocalista do grupo B2K que teve alguns de seus maiores sucessos produzidos por R. Kelly, disse que a filarmónica não vai mais tocar suas músicas.

A campanha “Silencie R. Kelly” — que prega o boicote de suas músicas e shows — ganhou, assim, fôlego novo.

Ela foi lançada em 2017 depois que outras denúncias contra o músico vieram à tona e ganhou força no ano seguinte, quando rostos famosos porquê a cineasta Ava DuVernay e a cantora Janelle Monae apoiaram o movimento.

O documentário inclui diversas entrevistas. Uma delas é com o cantor John Legend, que disse crer nas mulheres, descrevendo Kelly porquê um abusador “em série”.

O diretor, Dream Hampton, disse que o filme mostra porquê Kelly “construiu um ecossistema ao volta de sua predação” de quase três décadas, “predando jovens e vulneráveis mulheres”.

‘Monstro’

Diante do documentário, a filha de R. Kelly rompeu com o silêncio sobre as denúncias de afronta sexual contra o pai. Em um post no Instagram, Joann Kelly, ou Buku Abi (seu nome verdadeiro), disse na estação estar “arrasada”.

Buku, de 20 anos, diz que não vê ou fala com o pai há anos. Labareda ele de “monstro” e de pai “terrível”.

Ela disse estribar as supostas vítimas do pai. Ela também explicou por que esperou para falar sobre as alegações, dizendo que demorou para permanecer muito em relação a isso.

“Tem sido muito difícil mourejar com tudo isso”, escreveu em um “story” no Instagram. “Fora reunir as palavras certas para expressar tudo o que eu sinto.”

Buku disse a seus seguidores no Instagram que ela reza para todas as mulheres que dizem ter sido afetadas pelas supostas ações do pai.

Ela disse que não queria falar sobre sua vida pessoal nas redes sociais, mas por justificação do escrutínio intenso sob o qual estavam seu pai e sua família, ela achava que era o momento manifesto.

“O mesmo monstro com quem vocês estão me confrontando agora é o meu pai. Eu sei muito muito quem e porquê ele é. Eu cresci naquela mansão”, disse. “Minha escolha de não falar sobre ele e o que ele fala é para minha tranquilidade de espírito. Meu estado emocional. E minha tratamento.”

Já a cantora Lady Gaga, que também é ativista pelas vítimas de afronta sexual, foi pressionada a comentar sobre as alegações contra Kelly desde que colaborou com ele na música Do What U Want (With My Body), de 2013.

A colaboração foi controversa desde o início. Naquela estação, histórias sobre a vida pessoal de Kelly já tinham sido noticiadas e, em 2008, ele fora indiciado de fazer uma sex tape com uma menor de idade – mas inocentado pela Justiça.

Em uma coletiva de prelo no Japão em 2013, Gaga defendeu a colaboração. “R. Kelly e eu temos coisas que não são verdadeiras escritas sobre nós, portanto, de alguma forma, temos uma conexão.”

Na semana passada, a cantora se desculpou por ter trabalhado com R. Kelly e disse que removeria o dueto “Do What U Want” de serviços de streaming — o que acabou ocorrendo.

Gaga disse que as histórias eram “horríveis” e “indefensáveis”. “Eu base 1000% essas mulheres.”

Curso de sucesso

Robert Sylvester Kelly nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1967. É produtor músico, compositor, cantor e multi-instrumentista.

Entre suas obras, estão vários hits, porquê a música I Believe I can Fly, do filme Space Jam: O jogo do século (1996). Ele escreveu ainda You Are Not Alone (1995) para Michael Jackson e Gotham City do filme Batman & Robin (1997).

Trabalhou em parceria com artistas porquê Céline Dion, Janet Jackson e Jennifer Lopez, entre outros.

Kelly negou todas as alegações contra ele, e até divulgou uma música em que canta: “Sou tão falsamente indiciado”.

*Reportagem atualizada em 27 de setembro de 2021.

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